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sábado, 31 de janeiro de 2015

Processo e obtenção de produto biodegradável para biorremediação de áreas impactadas com petróleo com um consórcio de 1ª geração de biocombustíveis.


Odete Gonçalves1* (TC), Cristina M. Quintella1 (PQ). (Cristina@ufba.br)

Palavras Chave: Mamona, Biocombustíveis, Biorremediação,  Aspergillus fumicatus
1 - Introdução
          
A biorremediação é desenvolvida sob a ação de microorganismos é um método cientificamente comprovado e ecologicamente correto com sustentabilidade. É uma das  formas de remediação ocasionada por microorganismos que apresentam capacidade de metabolizar os componentes e transformá-los em substancias inertes CO2 e água.  Usualmente se utilizam bactérias, sendo que o uso de fungos autóctones ainda é pouco explorado, tendo a vantagem de ser menos agressivo ao ambiente. Aqui se aplica um consórcio de 1ª geração de bicombustíveis, sendo sustentável e renovável com fungos que permitem o processo enzimático da mistura microbiológica: petróleo, água de produção, glicerina bruta e torta de mamona, areia calcinada e fungos.
Os meios escolhidos de crescimento ativam e aceleram a cometabolização dos hidrocarbonetos e tem aplicação na remediação de áreas impactadas por petróleo em manguezais e ambientes oleosos.                                
           
2 - Material e Métodos
Inicialmente foram caracterizados os produtos e substanciam da mistura microbiológica com análises físico-química e técnica de Fluorimetria do petróleo, glicerina bruta, e fungos. Fluorescência de RX em areia calcinada, em toxicologia foi isolado e identificado o fungo Aspergillus fumicatus. A mistura microbiológica foi composta de resíduo de petróleo 13,25%, areia calcinada 38,46% na 25% Ø ≈48 mesh, água de produção 32,05%, glicerina bruta 12,82% e torta de mamona 3,37%. Foram levados ao aquecedor agitador magnético, na temperatura de 70 até 97OC em agitação constante onde permaneceu por 4 min; após em descanso, foi adicionado cepas do fungo filamentoso Aspergillus fumicatus..

Tabela 01. Tabela dos produtos e valores em percentagem da mistura microbiológica

Produtos
Valor %
Resíduo de petróleo
13,25
Torta de mamona
  3,37
Glicerina de mamona
12,82
Areia calcinada
38,46
Água de produção
32,05

A mistura foi lacrada e acompanhado o período de incubação com a proliferação dos fungos. Houve um processo de transformação bioquímico e observou-se a liberação de gases. Foram analisadas alíquotas nos dias zero, 24, 32, 90, 257 e 437 dias, por cromatografia para monitorar a presença de parafinas e por espectrofluorimetria para monitorar os fluoróforos.






Figura 1. Por cromatografia picos de hidrocarbonetos em com aumento da concentração relativa C22, criseno e C28.

      

Cromatografia técnica de separação de misturas e identificação de seus componentes. Esta depende da diferença entre as interações dos analitos, a fase móvel e a fase estacionária. Foi usado o aparelho espectrofluorímetro Perkin Elmer–LS55. As amostras foram analisadas em cubetas de quartzo de 1cm de secção quadrada. Foi monitorado pico de ativação, crescimento/decaimento no processo microbiológico dos fungos a transformação das substancias (enzimas orgânicas).


Figura 2: Mapas espectrofluriométricos das amostras zero dia e 90 dias.

              Os resultados foram analisados no programa Origin® com a elaboração de mapas e gráficos de fluorescência molecular. A biorremediação microbiológica se efetiva inicialmente com a proteína vegetal e o fungo e posteriormente com o aumento da população fúngica o consumo de hidrocarbonetos.  Adicionalmente, utiliza a proteína vegetal inibidora ricina na fermentação alcoólica como fonte de energia para os fungos modificando a atividade enzimática e favorecendo a mineralização de compostos minerais com os metais de transição como oxido de cádmium provenientes da areia calcinada. A glicerina bruta, co-produto da produção do biodiesel, contém uma mistura de glicerina, ácidos, ésteres, álcalis, e alcoóis, óleo, gliceróis, água e sais variados. A presença da glicerina bruta com suas impurezas altera a tensão interfacial, atua na viscosidade e permite que o fungo atue de modo mais intenso sobre a ricina.

3 - Resultados e Discussão
           
A cromatografia mostrou que as amostras do tempo zero sem fungos, a existência de 6 picos atribuídos a antraceno, ferantreno, pireno, C22, criseno, C28. Já no tempo 32 dias, mostrou a ausência dos picos correspondente a antraceno, ferantreno e pireno e o aumento da concentração relativa a C22, criseno e C28 devido a redução da concentração dos demais, identificando o efeito de biorremediação referente a hidrocarbonetos.
            Em fluorescência inicialmente o máximo de excitação em 300nm o que migrou para 390 à 460nm que se explica pelo aumento de concentração relativa de HPAs, devido ao consumo de hidrocarbonetos lineares, após 90 dias a fluorescência reduziu drasticamente pelo consumo dos HPAs




Figura 3: Intensidade (u.arb.) de fluorescência induzida excitação 300 nm, para amostras com diferentes tempos de atuação do produto biodegradável.



            Em fluorescência inicialmente o máximo de excitação em 300nm o que migrou para 390 à 460nm que se explica pelo aumento de concentração relativa de HPAs, devido ao consumo de hidrocarbonetos lineares, após 90 dias a fluorescência reduziu drasticamente pelo consumo dos HPAs. Assim se efetivou a aplicação do processo de obtenção de um produto biodegradável para emprego em processos de biorremediação de manguezais e áreas impactadas por derrames de petróleo e derivados, o qual é incorporado ao meio contaminado e que se pretende remediar.


Figura 4: Fluorescência com excitação a 300 nm, das amostras contaminadas sem ação do produto e com ação do produto por 257 dias



            Os fungos são capazes de produzir um sistema enzimático responsável pela degradação de compostos xenobióticos. O processo microbiológico aqui proposto envolve o fungo Aspergillus fumigatus, com a mamona Ricinus communis, sendo uma forma natural e efetiva da natureza resolver seus desequilíbrios através dos seus próprios caminhos como a catálise enzimática, onde extrai seu substrato e faz a organocatálise, em cetonas (compostos cíclicos).   Produzem enzimas extracelulares oxidativas, capazes de quebrar compostos de policíclicos aromáticos de cadeia longa em compostos assimiláveis ao seu metabolismo. Na etapa final os nutrientes ficam escassos e a colônia fúngica passa a processar os materiais disponíveis no meio, que são os contaminantes hidrocarbonetos, e ocorre a biorremediação do meio, com liberação de água e de dióxido de carbono. Deste modo foi possível comprovar que com o emprego do produto, em até 32 dias se dá a biorremediação para hidrocarbonetos lineares e que em até 90 dias se dá a biorremediação para HPAs.
           
4 - Agradecimentos
       Laboratório de XRF/ UFBA pelas análises de areias calcinadas, ao Laboratório Análises Toxicológicas IBIO/UFBA pelo isolamento e identificação do fungo, e ao Instituto Politécnica UFBA pela glicerina e torta de mamona. E a Maxidril Equipamentos E&P por conceder resíduo de petróleo.

5 - Bibliografia
[1] Proteolytic enzymes: A pratical approach. Beynom,R.J., Bond,J.S (eds).1989. Academic press. Oxford.
2 Azevedo, W.F., & Santos, D.S. (2004). Acta Crystallogr. Sect. D.-Biol. Crystallogr. 60, 2003-2005.
3 CUNHA, 1996. Semina: revista cultural e científica da Universidade Estadual de Londrina Volumes 20-21, pg. 68, Universidade do Texas, 18 nov. 2008.
4 Quintella, C.M., Gonçalves, O. Patente “Processo de obtenção de produto biodegradável para aplicação na remediação de solos, águas e ambientes impactados e método de funcionamento”, 2010.


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