BIORREMEDIAÇÃO DE SUBSTRATO DE
MANGUEZAL CONTAMINADO COM PETRÓLEO, ATRAVÉS DA ADIÇÃO DE NUTRIENTES (GLICERINA
BRUTA E TORTA DE MAMONA) E FUNGOS Aspergillus
spp ou Penicillium spp
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em
Geoquímica do Petróleo e Meio Ambiente, da Universidade Federal da Bahia, como
requisito para a obtenção do título de Mestre em Geoquímica: Petróleo e Meio
Ambiente.
Orientador: Prof. Dr. Ronaldo Montenegro Barbosa
Co-orientadora: Profª. Drª Cristina Maria Assis Lopes Tavares da Mata
Hermida Quintella
Co-orientador: Prof. Dr. Jorge Alberto Trigüis
SALVADOR
2013
"Dedico este trabalho às minhas filhas, Vastiane
Evelise, Viviane Quênia, Cristiane Carla, Lilian Lucia, e aos meus netos, pelo
apoio, carinho, amor e incentivo que me proporcionaram no decorrer desta
caminha ao despertar das potencialidades. Dedico ainda ao meu esposo e
companheiro, pelo seu amor e compreensão, sentimentos elevados e um clima de
harmonia, os quais contribuíram para incentivar o meu desempenho nos estudos”.
AGRADECIMENTOS
Nesta oportunidade
quero lembrar e agradecer a todos que contribuíram direta e indiretamente em
todas as etapas da minha formação e agregaram valores para este estudo.
Agradeço a Deus pelo
dom da vida, por mostrar e abrir meus caminhos na ciência, por me permitir
alcançar esta etapa, sempre acreditando, com muita fé.
Às minhas filhas, netos
e genros, pelo carinho e aconchego recebido, os quais sempre estiveram ao meu
lado, dando incentivo, proporcionando horas de laser, bem-estar, união e compromisso
para um melhor desempenho.
Ao meu esposo,
Zenóbio, companheiro de todas as horas, pelo apoio recebido e por ter me dado
amor e carinho nas horas de desafios.
Ao meu orientador, Dr.
Ronaldo Montenegro Barbosa pela sua atenção dispensada ao discutirmos as etapas
do trabalho, dentro da sua visão na prática de pesquisador.
A minha
co-orientadora Dra. Cristina Quintella, uma verdadeira mestra e amiga, muito
dinâmica, dotada de sabedoria e ciência, que acreditou no meu potencial em
pesquisa. E por sua luta incessante pela divulgação e ampliação da Inovação,
Ciência e Tecnologia, dando oportunidades valiosas no registro da transmissão
de conhecimentos.
Ao meu co-orientador
Dr. Jorge Alberto Trigüis, grande pesquisador em Geoquímica orgânica, por me
permitir construir conhecimentos em sistemas petrolíferos.
Ao curso e
professores do Pospetro, Pós-Graduação Geoquímica do Petróleo e Meio
Ambiente/UFBA pela oportunidade e conhecimentos transmitidos, para este estudo.
Ao professor Ernande
Melo de Oliveira, pela contribuição nas análises de Difratometria de Raios-X,
GQ-UFBA, à Pérola por analise em Microscópio Eletrônico, contribuindo para o
direcionamento à minha pesquisa com os novos produtos adquiridos, sucesso a
todos.
À equipe do
laboratório de Análises Clínicas e Toxicológicas FFAR-UFBA, à professora Drª Tânia Barros na realização das
análises microbiológicas deste trabalho.
Ao Laboratório de Coordenação IQ-UFBA, ao Dr. Fábio Boro pelas análises de Espectroscopia de Infravermelho para o biopolímero e cristais protéicos.
Ao Laboratório do Dep. Análises Bromatológicas (UFBA), a Drª Mara Miranda pela realização das
análises de Toxicologia em Aflatoxina.
A toda equipe LabLaser, a Arlete pelas análises em XRF, aos amigos e
companheiros de pesquisa que contribuíram para o aprendizado que construímos
juntos, um abraço.
A todos os companheiros, funcionários e técnicos do NEA, ao Laboratório
de Campo, LEPETRO, a Sarah Adriana, pelo estudo em Cromatografia, meu carinho
pela força.
À Petrobras e ao CNPQ pelo apoio financeiro e por
acreditar no projeto.
Resumo
O presente trabalho avalia o
processo e produto do uso de uma
Mistura Microbiológica para a biorremediação de manguezais contaminados
por petróleo, apresentando os melhores desempenhos com o bioestímulo torta de mamona e a bioaumentação
fungo Aspergillus spp (flavus), comparados com o fertilizante NPK e fungo o Penicillium spp.
A metodologia foi originalmente desenvolvida e patenteada para a biorremediação
de sedimentos contaminados de petróleo da bacia sedimentar do Recôncavo Baiano.
O mecanismo da biorremediação inicia-se com as proteínas
vegetais armazenadas e com o processo de
hidrólise da cisteína da ricina (uma metalo-protease), devido à síntese
microbiana de transformar e retirar da mistura o oxigênio e nutrientes
energéticos para sua proliferação pela geração de energia celular. A mistura é
composta de glicerina bruta de mamona, torta de mamona, petróleo, areia
calcinada, água salina e fungos e sua eficiência é comprovada por
técnicas de XRF e cromatografia gasosa. São discutidos o procedimento e a validação
da biorremediação através das técnicas de XRF, cromatografia gasosa e
infravermelho. Os subprodutos da biorremediação são um biopolímero
(identificado como FUNAMIDA) e um Cristal Proteico de Amida que são
caracterizados quimicamente através das técnicas de XRF, cromatografia gasosa,
infravermelho e difratometria de Raios-X. Esses sub-produtos podem ser vistos
como novos materiais com potenciais empregos apontados para a indústria de
implantes biomédicos, biossensores e eletrônica, uma vez que extrai
elementos-chave como Ti e Ru. Dessa forma, sugere-se que a metodologia aqui
descrita seja empregada para a área de biotecnologia, a qual irá direcionar o
uso dos novos materiais sintetizados para suas devidas aplicações nos segmentos
tecnológicos específicos.
Palavras-chave: Biorremediação. Bioestímulo. Bioaumentação. Biopolímero. Mamona. Fungo. Amida.
Abstract
The present study
evaluates the process and product of a Microbial Mixture usage for
bioremediation of petroleum contaminated wetlands, pointing the best
performances for castor bean as biostimulation and fungus Aspergillus (flavus) as bioaugmentation, compared with NPK
fertilizer and fungus Penicillium
spp. The methodology was originally developed and patented for the
bioremediation of oil contaminated sediments of the sedimentary basin of the
Recôncavo. The mechanism of bioremediation begins with vegetable proteins
stored and the process of hydrolysis of the cysteine of ricin (a
metallo-protease), due to the microbial synthesis. The mixture is composed of
crude glycerin castor oil, triturate castor oil, oil, sand, ash, salt water and
fungi and their efficiency is proven by XRF techniques and gas chromatography. We
discuss the procedure and the validation of bioremediation through the XRF techniques,
gas chromatography and infrared. The byproducts of bioremediation are a
biopolymer (labeled FUNAMIDA) and a Crystal Protein Amide which are chemically
characterized by the techniques XRF, gas chromatography, IR and X-ray
diffraction. These sub-products can be viewed as new materials with potential
applications pointed to biomedical implants, biosensors and electronics
industries, since it extracts key elements such as Ti and Ru. Thus, it is
suggested that the methodology described here can be employed on biotechnology area,
which will direct the use of new materials synthesized due to their
technological applications in specific segments.
Keywords: Bioremediation. Biostimulation. Bioaugmentation. Biopolymer. Castor.
Fungi. Amida.
1 INTRODUÇÃO
A biorremediação é uma técnica
cientificamente comprovada e ecologicamente correta que propõe a utilização de
plantas e microrganismos no tratamento de rejeitos potencialmente tóxicos para
reduzir sua toxidade (ATLAS, 1995). Este processo, produzido pela ação
de bactérias e fungos, é empregado pela descontaminação de ambientes impactados
por petróleo. Rosa (2001) assevera que a biodegradação “[...] pode estar
limitada à disponibilidade de nutrientes, composição e abundância das
comunidades microbianas, salinidade, temperatura, concentração de oxigênio
dissolvido e composição do óleo derramado” (ROSA, 2001, p. 2).
As contaminações com
hidrocarbonetos do petróleo, por sua vez, são distúrbios que modificam o
ambiente natural e sua capacidade de auto-renovação (QUINTELLA et al., 2009). Neste sentido, vê-se que
o benefício maior da aplicação da biorremediação, é a mineralização, obtendo
como produto final CO2 e H2O pela via aeróbica, assim como formação de biomassa, segundo Cunha
(1996).
Para Uña e Garcia (1983), a
transformação dos hidrocarbonetos pelos microrganismos pode ser facilitada pela
produção de enzimas como catalisadores biológicos que controlam as reações
bioquímicas, produzindo energia e material necessário para a proliferação de
novas células microbianas. Os fungos produzem enzimas extracelulares oxidativas
capazes de quebrar compostos de policíclicos aromáticos de cadeia longa e
transformá-los em compostos assimiláveis ao seu metabolismo. Estas enzimas
hidrolisam ligações peptídicas, quebrando-as, liberando peptídeos que são
degradados a aminoácidos livres pelas peptidases (RODWELL, 2009). Importante
salientar, que estudos indicam que ocorre o aumento da biodisponibilidade de
policíclicos aromáticos (HPAs), aumento da taxa de solubilização dos metais
pesados e aumento de solubilização de naftalenos pelo uso de biossurfactantes
(NITSCHKE; PASTORE, 2002).
Um trabalho de
biorremediacão se efetiva com processos de óxido-redução e atinge os principais
aspectos relativos à degradação e à mineralização de hidrocarbonetos
policíclicos aromáticos. Tal processo acontece seguindo as etapas: Inicialmente,
em fermentação, emitindo dispersão de gases (partículas menores). Em seguida,
dá-se o efeito das emulsões, passando para a água as partículas solúveis com
trocas iônicas e, finalmente, acontece, no substrato, as transformações
físico-químicas produzidas pelos microrganismos para o seu metabolismo e
assimilação.
1. 1
OBJETIVOS
1. 1.
1 Objetivo Geral
O presente trabalho tem como objetivo
avaliar o processo e os produtos do uso
da Mistura Microbiológica para biorremediação de manguezais contaminados
por petróleo, tendo a glicerina bruta e torta de mamona como bioestímulação e
os fungos Aspergillus spp e Penicillium spp como bioaumentação.
1. 1.
2 Objetivos Específicos
Para tal objetivo
geral acontecer, elegemos os seguintes objetivos específicos:
- definir
a melhor metodologia/tecnologia para utilização de biorremediação em
regiões de manguezal (artigo 1);
·
analisar a
utilização dos subprodutos glicerina bruta e torta de mamona, e o fertilizante
NPK (contendo nitrogênio fósforo e potássio), como bioestimulantes no processo
de biorremediação pelos fungos no manguezal impactado com petróleo (artigo 2);
·
avaliar a
contribuição dos derivados da mamona (glicerina bruta e torta de mamona) e do
fertilizante NPK como bioestímulos dos fungos para o desenvolvimento e
proliferação fúngica através de análises de cromatografia (artigo 2);
- avaliar
os resultados dos compostos orgânicos (hidrocarbonetos totais,
hidrocarbonetos saturados, aromáticos e biomarcadores) com a
bioestimulação dos fungos Aspergillus
spp e Penicillium spp, a fim de
comprovar possível degradação de óleo no ambiente estudado;
Este trabalho
justifica-se porque atende aos desafios da economia ao abrir portas para inovações
orgânicas na ciência, gestão de negócios em biorremediação e desenvolvimento
sustentável no plantio do campo e responsabilidade social com emprego e renda. Atende
aos desafios tecnológicos ambientais, uma vez que a glicerina e torta de mamona,
com o fungo anaeróbico facultativo, elaboram uma fermentação no sedimento
argiloso do manguezal que favorece a aceleração da biorremediação natural.
1. 2
MICROORGANISMOS NA BIORREMEDIAÇÃO
A Agência de Proteção Ambiental
estabelece como principais
contaminantes do solo, em ordem crescente: cloroalifático, pesticidas,
hidrocarbonetos aromáticos, cloroaromáticos, aromáticos simples e outros.
Muitos têm sua origem na industrialização do petróleo bruto, outros nas
indústrias químicas e atividades agrícolas. No âmbito da biorremediação, os
mais visados são os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), os hidrocarbonetos
halogenados, com os elementos Cloro, Bromo, são formadores de sal e ligações
fortes com metais em geral iônicas. Estes são xenobióticos de grande
persistência no solo, e os derivados nitrogenados do nitrotolueno (Agência de
Proteção Ambiental dos EUA, combustíveis, EPA, petróleo, renováveis, Publicado em 10 de
abril de 2012).
A microbiologia de degradação de
hidrocarbonetos constitui um campo de pesquisa em pleno desenvolvimento. Tal
interesse deve-se ao impacto que estes compostos podem causar no meio ambiente
e à crescente utilização de procedimentos microbiológicos de descontaminação de
solos, em razão de derramamento acidentais (BONAVENTURA; JOHNSON, 1997). O
Enxofre contido nos compostos oleosos acelera os processos de biorremediação
contribuindo para o metabolismo dos microorganismos (Apêndice A).
Fig: Biorremediação com fungos e transformações bioquímicas
Ramos (2005), por sua vez, aponta que composição química do resíduo também determina a velocidade da biodegradação de petróleo bruto. A fração de compostos saturados do petróleo degrada-se mais facilmente do que a insaturada, exercendo grande influência no tratamento dos resíduos de refinarias.
Ramos (2005), por sua vez, aponta que composição química do resíduo também determina a velocidade da biodegradação de petróleo bruto. A fração de compostos saturados do petróleo degrada-se mais facilmente do que a insaturada, exercendo grande influência no tratamento dos resíduos de refinarias.
Faz-se necessário destacar, ainda,
que para alcançar o objetivo da biorremediação, é preciso o conhecimento das
condições que influenciam o processo, dentre elas: característica do resíduo,
presença de condições microbiológicas ótimas, a seleção correta da tecnologia
de biorremediação e o uso de métodos analíticos apropriados para determinar o tipo
e a extensão da contaminação (HUESEMANN, 1994 apud PEDROTI,
2007).
Dentre tantas formas de
biorremediação, há as alternativas como a fitorremediação, que envolve o
emprego de plantas para acelerar o processo de degradação. Estas contribuem através
do efeito rizosférico sobre a microbiota biodegradadora (PRADHAN et al., 1998).
A
biorremediação envolve o processo de bioaumentação, isto é, a inoculação do
solo com culturas puras ou consórcio microbiano contendo microrganismos
selecionados para degradações de contaminantes específicos. Esses processos têm
sido bastante estudados para hidrocarbonetos clorados através do emprego de
populações indígenas aclimatadas, isoladas e selecionadas (STRUTHERS et al., 1998; BEWEY, 1996 apud RAMOS, 2005).
Os surfactantes são moléculas que possuem uma extremidade hidrofílica
(água) e a outra hidrofóbica (oleofílica), podendo ser sintéticos, se obtidos a
partir de sínteses químicas, ou biossurfactantes, quando produzidos por
microrganismos (CASSIDY; HUDAK, 2001; CETESB, 2003). Já se encontra bem documentado
a capacidade do biossurfactante de emulsionar misturas de hidrocarboneto e
água. Tal propriedade envolve o aumento significativo de degradação dos
hidrocarbonetos e, por isso, é utilizado na biorremediação de solos impactados
e mananciais contaminados (LOBATO, 2000; CRAPEZ et al., 2002).
O crescimento de microrganismos em uma interface de água e óleo favorece
o aparecimento de um biofilme, no qual os microrganismos se aderem à superfície
de grandes gotas de óleo devido à hidrofobicidade das células, passando a
formar uma delgada interface, extraindo os compostos insolúveis em água da fase
oleosa e utilizando os sais minerais da fase aquosa. À medida que as células
revestem as gotas de óleo produzindo biossurfactantes, reduz-se a tensão
interfacial, o que favorece o crescimento e a colonização microbiana
(ASCON-CABRERA; LEBEAULT, 1995 apud
MARTINS, 2005).
Quanto à mamona, Ricinus communis, é uma fonte de energia
para os microrganismos heterotróficos, modifica a atividade enzimática, além de
favorecer a soimbilização de compostos minerais e inibir o efeito de algumas
toxinas (TERRON, 1995 apud CAVALCANTI,
1998). A ricina é uma proteína inativadora de ribossomos (RIPs) do tipo II,
heterodimérica, com a enzima inibidora de ribossomo (~32 KDa, cadeia A ou RTA)
ligada por ponte dissulfeto a uma lectina galactose (~34KDa, cadeia B ou RTB).
Já a cisteína é um aminoácido sulfurado, fonte de sulfato inorgânico, uma
metalo-protease que usa um íon metal no seu mecanismo catalítico e hidrolisa as
proteínas em aminoácidos, facilitando a sua absorção pelas células, uma vez que
possui um papel despolimerizante (ALVAREZ-SANCHEZ et al., 2000).
Dessa
forma, a torta de mamona contém um elevado conteúdo protéico que a torna uma
boa matéria-prima para a produção dos seguintes aminoácidos: arginina (11,0%),
cistina (3,5%), fenilalanina (4,2%), histerina (11,0%), isoleucina (5,3%),
leucina (7,3%), lisina (3,1%), metiolina (1,5%), tirosina (1,0%), treonina
(3,6%), triptofano (0,6%) e valina (6,6%) (BELTRÃO, 2003).
Importante destacar que a distribuição de
plantio da mamona para produção industrial em grandes áreas torna o meio
ambiente verdejante, além de a fotossíntese contribuir para a mitigação da
mudança climática global. Com o uso desse produto natural, biodegradável, inserido
na indústria petrolífera com potencial energético e com disponibilidade em todo
o Brasil, dá-se o exemplo de biotecnologia e auto-suficiência num país
tropical.
1. 2.
1 Processos de biodegradação do petróleo por bactérias e fungos
Sabe-se que fungos e bactérias são
os principais microrganismos degradadores de hidrocarbonetos. Neste ínterim,
Oliveira (2007) apresenta o emprego de esporos de Bacillus subtilis LAMI007 não patogênicos não modificados
geneticamente, aprisionados em microesferas de quitosana para operações de
biofertilização e biodegradação como biossurfactantes. Neste trabalho,
propõe-se o emprego de esporos bacterianos, os quais ao serem empregados
germinam, tornando-se ativos como biofertilizantes, biodegradadores e
biorremediadores em ambientes naturais, domésticos e industriais.
Já Guiot e Tartakovsky (2007)
apresentam um método para biorremediação de águas residuais, especialmente
águas subterrâneas, por meio do emprego de tratamento biológico aeróbico e anaeróbico
acoplado. Mais especificamente, o método contempla o uso de populações
microbianas metanogênicas (estritamente anaeróbicas) e metanotróficas
(estritamente aeróbicas) em combinação com um suprimento de oxigênio e
hidrogênio dissolvidos em água in situ.
A eletrólise da água é usada para produzir oxigênio e hidrogênio dissolvidos em
água. A vantagem imediata do uso de H2O originária da eletrólise é o
fornecimento de doadores de elétrons para metanógenos, objetivando desclorar
redutivamente a cloroalifatia e reduzir os carbonatos na água, além de gerar
metano, o qual é usado como fonte de energia e carbono para as bactérias
metanotróficas. O oxigênio é usado como aceptor de elétrons pelas bactérias
aeróbicas, incluindo as metanotróficas.
Leite et al., (2005), por sua vez, apresentam um biorreator horizontal
para processos ex-situ de
biorremediação de solos argilosos contaminados com hidrocarbonetos e um
processo de biorremediação de solos argilosos efetuado com auxílio do mesmo.
Já Fávero (2005), expõe uma técnica
de adição de composto para bioaumentação, biorremediação, bioproteção e
bionibição. O produto é composto por bactérias e fungos que atuam de maneira a
minimizar a produção de gases fétidos, acelerarem o processo de degradação de
matéria orgânica e inibir o desenvolvimento de patogênicos e fitopatógenos por
mecanismos de inibição, competição, exclusão competitiva, ou seja, disputa por
substratos entre microrganismos benéficos, patogênicos e fitopatógenos.
1. 2. 2 Biorremediação por fungos
Retornando aos fungos, verifica-se que constituem um
vasto grupo de organismos classificados como um reino denominado Fungi,
pertencente ao domínio Eukaryota.
Esse reino, de mais de um milhão e meio de espécies, algumas delas
microscópicas, é ainda quase desconhecido para a ciência e contribui de forma
decisiva para a preservação da diversidade biológica do nosso planeta. Os
fungos estão presentes de diversas formas no cotidiano. Possuem um corpo
vegetativo chamado talo ou soma
que é composto de finos filamentos unicelulares chamados hifas. Estas,
geralmente, formam uma rede microscópica junto ao substrato (fonte de
alimento), chamada micélio, por onde o alimento é absorvido. Os micélios podem ser cenocílico ou septado. A
célula fúngica é uma estrutura similar a células animais, porém, com parede
celular distinta (CLÉCIO, 2008).
Entre os microrganismos que podem
ser utilizados para o tratamento biológico de derrames de petróleo, os fungos
vêm se mostrando hábeis em degradar compostos xenobióticos e outros de grandes
cadeias moleculares que, em geral, são de difícil degradação. Além do mais, os
fungos sobrevivem e crescem em meios com concentração elevada de compostos
recalcitrantes e são capazes de utilizá-los como fonte de energia (EGGEN;
MAJCHERCZYK, 1998; ESPOSITO; AZEVEDO, 2004; OLIVEIRA et al., 2006; SANTOS; LINARDI, 2004 apud SANTAELLA et al.,
2009).
Os fungos filamentosos são os mais
eficientes na produção de enzimas extracelulares oxidativas, dentre elas
proteases, celulases, ligninases e outras (EGGEN; MAJCHERCZYK, 1998 apud SANTAELLA et al., 2009). Pelo processo das enzimas proteases, as partículas
metálicas que as compõem se expõe em maior quantidade no meio aquoso salino,
possibilitando um aumento de frações nanométricas que, ao se reagruparem,
formam uma interação provocando a mineralização do substrato. Podem adaptar-se, ainda, às mais variadas
concentrações de oxigênio, podendo utilizar tanto o oxigênio livre como o
oxigênio combinado. Dependendo da concentração deste elemento no meio em que se
encontram, utiliza-se de rotas metabólicas alternativas (desnitrificação e
amonificação), além da respiração aeróbica convencional (TAKAYA, 2002). Os
fungos podem apresentar-se como organismos unicelulares livres (leveduras),
formar aglomerados (pseudomicélio) ou filamentos (micélio). A reprodução pode
ser assexuada ou sexuada. Quanto aos nutrientes requeridos são os elementos C,
O, H, N, P, K, Mg, S, B, Mn, Cu, Mo, Fe,
Zn, além da luminosidade, a temperatura, a acidez e a umidade.
No que se refere ao fungo Aspergillus
fumigatus, sabe-se que uma cepa foi isolada durante um programa de seleção
de microrganismo do solo para que se realizasse uma caracterização inicial de
suas enzimas extracelulares (PERALTA; DOMINGUES, 1993). Pode estar presente em diversos meios, é
facultativamente anaeróbico, ou seja, pode atuar com ou sem presença do gás
oxigênio, e resiste a uma ampla faixa de temperatura. Além do mais, este fungo tem sido apontado
com potencial de degradação dos
hidrocarbonetos de petróleo com a atividade da produção microbiana (RAPER;
FENNELL, 1999). Mariano (2006) assegura, também, que para algumas aplicações, a bioestimulação
de microrganismos autóctones é a melhor escolha, considerando o custo e
desempenho. É conhecido ainda que
as proteínas surfactantes possam interagir com os antígenos glicosilados de Aspergillus spp, fungos filamentosos.
O Penicillium spp, por seu turno, é um gênero de fungos conhecido como o comum
bolor do pão que cresce em matéria orgânica morta. Várias espécies produzem
bactericidas (antibióticos) que permitem ao fungo lutar contra a competição
feroz das bactérias saprófitas pelo alimento. Pitt (1985) e Cerniglia (1997)
apontam a capacidade de degradação de hidrocarbonetos por estes fungos, uma vez que metabolizam
os HAPs que possuem de dois a seis anéis aromáticos.
Fig. Biorremediação por fungos
Fig. Biorremediação por fungos
1. 2. 3 Bioestímulo fertilizante
NPK e o vegetal Ricinus communis.
4)3PO4, sulfato de amônia (NH4)2SO4,
cloreto de potássio (KCl) e farelo de algodão. Estes serão comparados com o
vegetal Ricinus communis nas
variáveis de bioestímulo para ambos os fungos.
Já
o fertilizante NPK10-10-10 contém os principais macros nutrientes: nitrogênio,
fósforo e potássio. Este é um
fertilizante solúvel em água, formado na sua composição por fósforo monoamônico
(NH
Souza (2003) apontou que a biorremediação com
a utilização de NPK, na proporção de 10% p/v do volume de óleo derramado,
contribuiu para retirada de aproximadamente 30% dos alcanos; enquanto que a
evaporação natural retirou aproximadamente 60% dos n-alcanos menores que
n-C16 nos quatro primeiros dias da simulação, chegando a 80% após um
mês.
Rosa (2001), em testes
laboratoriais, também demonstrou boa eficiência do NPK como agente
bioestimulador com relação a alguns dos seus componentes na limpeza de derrames
de óleo. As ações decompositoras dos fungos removem resíduos terminais que são
substituídos, ciclizados ou ligados por ligações isopeptídicas.
Com o intuito de reduzir o impacto
ambiental causado com o descarte de efluentes contaminados com metais pesados,
métodos alternativos, de baixo custo e eficientes têm sido desenvolvidos. Um
deles é um processo químico de remediação em que ocorrem trocas iônicas entre
duas ou mais fases cuja transferência de íons depende da eletroneutralidade
regulada pela concentração dos íons nas fases (DAL BOSCO; JIMENEZ; CARVALHO, 2004). Neste
processo, faz-se necessário uma investigação sobre a interação sedimento/rocha/fluido
nos mega processos provocados pelos microrganismos (Figura 01) que ocorrem na
superfície do grão, estimulados na presença de traços de metais.
A oxidação química é empregada para decompor,
reduzir ou eliminar a toxidade dos contaminantes presentes, já que as reações
de oxidação podem ocorrer naturalmente e são aceleradas mediante agentes
oxidantes como O3, H2O2 e persulfatos (CETESB,
2010). A redução química in situ envolve processos
físico-químico-biológicos em sinergia criando condições redutivas extremas Eh
(Potencial Redox) baixos, conforme Pujol (2009).
A mistura, composta alternadamente
com torta de mamona e fertilizante NPK10-10-10, os fungos Aspergillus spp e Penicillium
spp, é utilizada para produzir surfactante, pois contém glicerina bruta,
ácidos, ésteres, álcalis e álcoois, óleo, glicerídeos, água e sais variados.
Para a obtenção do processo de biorremediação
pela ação de bactérias e fungos de áreas impactadas por petróleo serão
observados e analisados os parâmetros:
- Fatores físico-químicos. - Fatores biológicos
- Biorremediação por microorganismos
-
Bioestimulação – populações autóctones.
-
Bioaumentação – introdução de microorganismos
- Monitoramento -
-
Avaliação em método
-
Baseado em isolamento e cultivo e Independente de cultivo.
Figura
01: Amostra de coleta de campo em manguezal com derrame de petróleo
2
MATERIAIS E MÉTODOS
2. 1 O EXPERIMENTO E O SÍTIO DE
ESTUDO.
Esta pesquisa foi desenvolvida no campo
prático/experimental e teórico da Geoquímica Ambiental cujos estudos
“preocupam-se, especialmente, com a qualidade de vida do homem e o equilíbrio
antropocêntrico” (CARVALHO, 1989, p. 19), atentando para processos químicos e
fontes atuais de desequilíbrio da natureza.
Realizou-se na unidade do
laboratório de campo, nas proximidades do estuário do rio São Paulo. Esta
unidade laboratorial, que se constitui como extensão do Laboratório de Estudos
do Petróleo (LEPETRO), foi denominada “Laboratório de Simulação de Processos de
Biorremediação” (LEPETRO - SIMULAÇÃO), e está localizado no município de
Candeias, porção NW da Baia de Todos os Santos (Figura 02).
Figura 02 – Mapa da Área de Estudo e
Foto Localização. a) Mapa de Situação e Localização da Baía de
Todos os Santos. b) Fotografia da área de coleta de sedimento.
Fonte: Adaptado de
Bahia (2004).
Além
dessa unidade, trabalhou-se no Núcleo
de Estudos Ambientais (NEA) do
Instituto de Geociências (IGEO/UFBA) em
conjunto com o LabLaser -
Laboratório de Cinética e Dinâmica Molecular do Instituto de Química (IQ/UFBA), os quais possuem
infra-estrutura adequada para a execução do projeto, como suporte na aplicação
experimental científica.
Mais
precisamente destaca-se (Figura 03) a área estudada, que está situada entre os
municípios de Madre de Deus, Candeias e São Francisco do Conde, é
representativa do Bioma Mata Atlântica, no ecossistema manguezal. No entanto,
está exposta à possibilidade
de acidentes oriundos da atividade petrolífera, encontra-se nas proximidades de zona de
produção, refino e transporte da Refinaria Landulfo Alves – Mataripe (RLAM).
Figura 03 – Área de estudo e foto de
mapa de localização
2. 2 BIORREMEDIAÇÃO,
BIOESTIMULAÇÃO, BIOAUMENTAÇÃO
Em unidade de simulação, como inovação em biorremediação de manguezais
contaminados com petróleo exsudado, foram utilizados, subprodutos da primeira
geração de biocombustíveis, glicerina e torta de mamona como bioestímulo, sub a
ação dos agentes de bioaumentação fungos Aspergillus
spp, com predominância dos Aspergillus
flavus e dos fungos Penicillium
spp. Mais especificamente utilizou-se um consórcio com mamona e NPK, associados
aos agentes, fungos no processo microbiológico, acelerado pela proteína vegetal
inibidora ricina da mamona na fermentação alcoólica.
Inicialmente foi
analisada a granulometria com centrifugação do sedimento manguezal coletado em
campo contaminado e utilizado no experimental em aquários de campo.
A confiabilidade
no processo de validação de biorremediação foi reproduzida e verificaram-se nos
dados reportados no Capítulo 4,
garantindo sua comprovação. Foram separados
os produtos e quantificados com adaptação equivalente à Patente de Invenção
UFBA (QUINTELLA, GONÇALVES, 2010) nas proporções, encontra-se no Apêndice B.
Houve também a comparação em outras unidades utilizando-se como padrão
comercialmente disponível NPK fertilizante (Apêndice C).
No Apêndice D estão
detalhadas a coleta do sedimento manguezal e a extração das alíquotas de
hidrocarbonetos para análise de cromatografia líquida e gasosa. Foi utilizado
liofilizador, macerado, peneirado para uso no extrator sofxlet. As semeaduras descritas e caracterizadas, tiveram
seus produtos analisados com o acompanhamento das unidades de simulação,
durante o período de 8 semanas, e seus parâmetros físico-químicos dos bioestímulos não conservativos como indicado no Apêndice E. Os parâmetros pH,
salinidade, temperatura, oxigênio dissolvido foram mensurados com auxílio dos
seguintes equipamentos:
- Refratômetro Hand Refractometer ATAGO modelo S/Mill-E;
- Condutivímetro Handylab 1, com precisão de 0,05μS.cm-1;
- pH-metro Handylab LF1, com precisão de 0,01 unidade de pH e/ou mVe;
- Oxímetro WTW
OXI 3151, marca SCHOTT-GERATE, precisão de 0,01mg.L-1
Os parâmetros
foram monitorados semanalmente no que apontam
o comportamento do pH e Eh e influências químicas. Foi elaborada uma tabela com
os dados dos parâmetros físicos observados durante todo o período da
biorremediação; elaborou-se gráficos para maior compreensão do pH e do Eh da biorremediação; da salinidade
e EH Mv, acompanhando assim também o comportamento gráfico da salinidade e condutividade.
Durante
o período do experimento, o sedimento mostrou-se com cores estriadas, este fato
levou a se fazer análise de toxicidade para Aflatoxina a fim de eliminar
suspeitas de produção tóxica ao ambiente. Após análise, obteve-se resultado
negativo, o que se demonstra visualmente é que são as etapas de transformações
físico-químicas pelas quais passam as amostras durante o período de
biorremediação. Atento ainda quanto às transformações, visualmente, pode-se
observar larvas, pequenos Nematódeos, na biorremediação e até pequenos insetos
voadores, o que caracteriza a matéria orgânica em abundância e existência de
vida.
Inicialmente
foram caracterizados os referenciais, branco que compõe a mistura
microbiológica em cromatografia com extração
dos hidrocarbonetos, alíquotas dos saturados, aromáticos e NOS, e feito Gráfico
Ternário com o percentual encontrado.
Para obter a determinação de
nitrogênio total foi utilizado o método volumétrico Micro-Kjeldahl, segundo os
procedimentos descritos em BREMNER (1965). Utilizou-se de 0,7 g de amostra sedimento
manguezal; 1,0 g
de digestora (solução mistura); 3 mL de ácido sulfúrico (H2 S04
(C). Estes foram colocados em
tubo Kjeldahl homogeneizado na capela e adicionado o ácido
sulfúrico. Logo após, colocou-os no bloco digestor à 350º C por 4 h (50-50º).
Em seguida, a amostra foi colocada no extrator,
digerida e deixada para esfriar
na capela. Para melhor amostragem, foram feitas três amostras e tirada à média
para se obter a quantidade da concentração para ser usada posteriormente nos
bioestíamulos NPK e torta de mamona. Houve também procedimento para a análise
de fósforo no sedimento.
Para os
inorgânicos foram feitas pastilhas com as amostras e analisadas em
Fluorescência de Raios-X (XRF). Foram amostras do óleo total de todas as
simulações nas 8 semanas, e nas alíquotas dos saturados dos Aspergillus spp este demonstrativo
encontra-se no Apêndice F. Obtendo-se assim para cada semana 4 amostras, duas
de bioaumentação com fungos e duas de bioestimulação com os nutrientes num
total de 32 amostras.
Para a
investigação orgânica dos hidrocarbonetos nas 8 semanas foram feitas as
análises de cromatografia líquida e gasosa das amostras de Aspergillus spp com mamona, das alíquotas de saturados e aromáticos
(Apêndice G). Também foram
acompanhadas as prováveis alterações sofridas por compostos aromáticos
alquilados (ROQUES; OVERTON; HENCY, 1994),
utilizando o Cromatográfico a Gás
(CG) Factor Four Variam 3900. Estes procedimentos fornecerão os perfis
denominados fingerprints, que
indicarão quais os compostos do óleo presentes e suas alterações à medida que
os microrganismos degradem o contaminante.
Após as análises foram obtidos os
resultados dos cromatogramas dos fungos Aspergillus
e mamona e dos Aspergillus e NPK e
analisadas as comparações e normalização dos bioestímulos e bioaumento, através
de gráficos. Foi analisada também a comparação entre a biorremediação de fungos
e de bactéria, comparação de cromatogramas de biorremediação de fungo Aspergillus com mamona 7 dias, e 60 dias
e bactéria 60 dias. Ainda para uma melhor avaliação foi investigada a normalização
da área total com Aspergillus e
mamona; Normalização da área
total com Aspergillus e NPK. Foi
avaliada a degradação dos hidrocarbonetos cíclicos, fitano e pristano. Outra
avaliação foi feita com o calculo da quantidade de HTP/Kg, com bioestimulação
mamona, NPK e bioaumentação com fungos, o mesmo procedimento com fungos com
mamona e NPK, na análise da quantidade de MCNR/Kg. Com os dados analíticos
obtidos em cromatografia e XRF foi feita Análise Estatística de Componentes
Variados, os quais indicam as transformações bioquímicas sofridas durante o
processo de biorremediação no Gráfico de loadings
com XRF.
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