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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

PRODUTOS BIOATIVOS E CRISTAIS RESIDUAIS

 

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo produzir e caracterizar os produtos biopolímeros bioativos e cristais residuais, advindos do processo de biorremediação de manguezais contaminados por petróleo e de resíduo de ferro do derrame da mineradora de Mariana, utilizando um consórcio microbiano, combinação dos coprodutos de biocombustível, glicerina bruta, torta de mamona e petróleo para bioestimulação dos fungos Aspergillus spp. e Penicillium spp. A metodologia utilizada foi adaptada de depósito de patente de biorremediação de sedimentos contaminados de petróleo da bacia sedimentar do Recôncavo Baiano. Para a realização dos bioprocessos inicialmente foi utilizado um biorreator aquário, entretanto para maior escala, foi desenvolvido e instalado um protótipo, estação de tratamento, conforme pedido de patente. Os processos de biorremediação desenvolveram-se por um período de 4 meses, sendo que com 20 dias obteve-se a produção de bioativos biopolímeros e com 90 dias obteve-se cristais residuais. Ambos os bioprodutos foram caracterizados por análises para orgânicos e inorganicos por granulometria, fluorescência e microscopia eletrônica de varredura, infravermelho, micrografia de luz polarizada e microscopia eletrônica. Além disso, foram feitos ensaios para avaliar o teor de proteína pelo método de Bradford em UV-Vis, absorvência de 595 nm, a atividade antimicrobiana pelo método de PCA com Escherichia coli, bem como ensaios de ecotoxicidade com a microalga Pseudokirchneriella subcapitata para todos os bioativos. Os fungos envolvidos pertenciam aos gêneros Aspergillus spp. e Penicillium spp., nenhum produtor de micotoxinas. Os perfis espectrofotométricos por fluorescência molecular foram compatíveis com proteína seja para o biopolímero como para o cristal residual manguezal. O mesmo acontece em infravermelho apresentando a banda da amida I e II, com modo vibracional centrado em 1637 cm–1, atribuída à presença de colágeno. Para o cristal residual manguezal em microscopia de luz polarizada obteve birrefringência de proteína com indicação de estrutura molecular bem organizada; por microscopia eletrônica de varredura/EDS predominam os elementos Wt% 86,73 de Carbono, Wt% 8,4 de Oxigênio e Wt% 1,82 de Enxofre entre outros. Para sedimento Mariana (SEMA) em MEV/EDS obteve-se uma diminuição significativa dos minerais resíduos de mineração antes Wt% 34,00 de Ferro para o depois da biorremediação Wt% 14,85 no sedimento e Wt% 0,00 no cristal residual atribuindo-se a transformações biogeoquímicas e formação de compostos orgânicos com predominância das partículas de carbono polimerizadas em Dióxido de Silício (SiO²). Pelo método Bradford em UV-Vis foi compatível com proteína, revelou as concentrações de 84 mg/L para manguezal e 159 mg/L para sedimento Mariana. Ambos os cristais residuais, apresentaram atividade antimicrobiana contra a bactéria Escherichia coli. A redução da toxicidade dos processos de biorremediação variou de 51% sedimento Mariana a 74% manguezal. Com os biopolímeros bioativos atribuídos a proteina, antimicrobiano e colágeno espera-se direcionar sua aplicação para a área de cosméticos e fármacos. Além disso, estima-se a aplicação dos cristais residuais e biopolímeros SEMA na composição de novos materiais e produção industrial de nanocompósitos híbridos da indústria automotiva.

Palavras-chave: Petróleo. Consórcio microbiano. Biopolímeros. Proteína. Ecotoxicidade. Nanopartículas

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